19 janeiro 2015

AO COMETER O SUICÍDIO, O CRISTÃO PERDE A SALVAÇÃO?


             Esse tem sido um dos temas mais controversos ao longo dos anos, e que lamentavelmente muitos têm respondido de uma maneira emocional e não através da análise bíblica. Aqueles de nós que crescemos no catolicismo sempre ouvimos que o suicídio é um pecado mortal que irremediavelmente envia a pessoa para o inferno. Para muitos que têm crescido com essa posição, é impossível despojar-se dessa ideia.

             Outros têm estudado o tema e, depois de fazê-lo, concluem que nenhum cristão seria capaz de acabar com sua própria vida. Há outros que afirmam que um cristão poderia cometer suicídio, mas perderia a salvação. E ainda outros pensam que um cristão poderia cometer suicídio em situações extremas, sem que isso o conduza à condenação. Em essência temos, então, quatro posições:
  1. Todo aquele que comete suicídio, sob qualquer circunstância, vai para o inferno (posição Católica Tradicional).
  2. Um cristão nunca chega a cometer suicídio, porque Deus impediria.
  3. Um cristão pode cometer suicídio, mas perderá sua salvação.
  4. Um cristão pode cometer suicídio, sem que necessariamente perca sua salvação.

              A primeira dessas quatro posições foi basicamente a única crença até a época da Reforma, quando a doutrina da salvação (Soteriologia) começou a ser melhor estudada e entendida. Nesse momento, tanto Lutero como Calvino concluíram que eles não podiam afirmar categoricamente que um cristão não poderia cometer suicídio e/ou o que se suicidava iria ser condenado. Na medida em que a salvação das almas foi sendo analisada em detalhes, muitos dos reformadores começaram a fazer conclusões, de maneira distinta, sobre a posição que a Igreja de Roma tinha até então.

No fim das contas, a pergunta é: O Que a Bíblia diz ?

               Começamos mencionando aquelas coisas que sabemos de maneira definitiva a partir da revelação de Deus:
  • O ser humano é totalmente depravado (primeiro ponto do TULIP calvinista). Com isso, não queremos dizer que o ser humano é tão mal quanto poderia ser, mas que todas as suas capacidades estão manchadas pelo pecado: sua mente ou intelecto, seu coração ou emoções, e sua vontade.
  • O cristão foi regenerado, mas mesmo depois de ter nascido de novo, devido à permanência da natureza carnal, continua com a capacidade de cometer qualquer pecado, com a exceção do pecado imperdoável.
  • O pecado imperdoável é mencionado em Marcos 3:25-32 e outras passagens, e a partir desse contexto podemos concluir que esse pecado se refere à rejeição contínua da ação do Espírito Santo na conversão do homem. Outros, a partir dessa passagem citada, atribuem a Satanás as obras do Espírito de Deus. Obviamente, em ambos os casos está se fazendo referência a uma pessoa incrédula.
  • De maneira particular, queremos destacar que o cristão é capaz de tirar a vida de outra pessoa, como fez o Rei Davi, sem que isso afete a sua salvação.
  • O sacrifício de Cristo na cruz perdoou todos os nossos pecados: passados, presentes e futuros (Colossenses 2:13-14, Hebreus 10:11-18).
  • O anterior implica que o pecado que um cristão cometerá amanhã foi perdoado na cruz, onde Cristo nos justificou, e fomos declarados justos sem de fato sermos, e o fez como uma só ação que não necessita ser repetida no futuro. Na cruz, Cristo não nos tornou justificáveis, mas justificados (Romanos 3:23-26, Romanos 8:29-30).

 A salvação e o ato do suicídio

                 Dentro do movimento evangélico existe um grupo de crentes, a quem já aludimos, denominados Arminianos, que diferem dos Calvinistas em relação à doutrina da salvação. Uma dessas diferenças, que não é a única, gira em torno da possibilidade de um cristão poder perder a salvação. Uma grande maioria nesse grupo crê que o suicídio é um dos pecados capazes de tirar a salvação do crente. Nós, que afirmamos a segurança eterna do crente (Perseverança dos Santos), não somos daqueles que acreditam que o suicídio ou qualquer outro pecado eliminaria a salvação que Cristo comprou na cruz.

                   Tanto na posição Calvinista como na Arminiana, alguns afirmam que um cristão jamais cometerá suicídio. No entanto, não existe nenhum versículo ou passagem bíblica que possa ser usado para categoricamente afirmar essa posição. Alguns, sabendo disso, defendem sua posição indicando que na Bíblia não há nenhum suicídio cometido pelos crentes, enquanto aparecem vários casos de personagens não crentes que acabaram com suas vidas. Com relação a essa observação, gostaria de dizer que usar isso para estabelecer que um cristão não pode cometer suicido não é uma conclusão sábia, porque estamos fazendo uso de um argumento de silêncio, que na lógica é o mais débil de todos. Há várias coisas não mencionadas na Bíblia (centenas ou talvez milhares) e se fizermos uso de argumentos de silêncio, estamos correndo o risco de estabelecer possíveis verdades nunca reveladas na Bíblia. Exemplo: não aparece um só relato de Jesus rindo; a partir disso eu poderia concluir que Jesus nunca riu ou não tinha capacidade para rir. Seria esse um argumento sólido? Obviamente não.

               Gostaríamos de enfatizar que, se alguém que vive uma vida consistente com a fé cristã comete suicídio, teríamos que nos perguntar antes de ir mais além, se realmente essa pessoa evidenciava frutos de salvação, ou se sua vida era mais uma religiosidade do que qualquer outra coisa. Eu acho que, provavelmente, esse seria o caso da maioria dos suicídios dos chamados cristãos.

                   Apesar disso, cremos que, como Jó, Moisés, Elias e Jeremias, os cristãos podem se deprimir tanto a ponto de quererem morrer. E se esse cristão não tem um chamado e um caráter tão forte como o desses homens, pensamos que pode ir além do mero desejo e acabar tirando a própria vida. Nesse caso, o que Deus permitir acontecer pode representar parte da disciplina de Deus, por esse cristão não ter feito uso dos meios da graça dentro do corpo de Cristo, proporcionados por Deus para a ajuda de seus filhos.

               Muitos acreditam, como já mencionamos, que esse pecado cometido no último momento não proveu oportunidade para o arrependimento, e é isso o que termina roubando-lhe a salvação ao suicidar-se. Eu quero que o leitor faça uma pausa nesse momento e questione o que aconteceria se ele morresse nesse exato momento, se ele pensa que morreria livre de pecado. A resposta para essa pergunta é evidente: Não! Ninguém morre sem pecado, porque não há nenhum instante em nossas vidas em que o ser humano está completamente livre do pecado. Em cada momento de nossa existência há pecados em nossas vidas dos quais não estamos nem sequer apercebidos, e outros que nem conhecemos, mas que nesse momento não temos nos dirigido ao Pai para buscar seu perdão, simplesmente porque o consideramos um pecado menos grave, ou porque estamos esperando pelo momento apropriado para ir orar e pedir tal perdão.

               A realidade sobre isso é que, quando Cristo morreu na cruz, ele pagou por nossos pecados passados, presentes e futuros, como já dissemos. Portanto, o mesmo sacrifício que cobre os pecados que permanecerão conosco até o momento de nossa morte é o que cobrirá um pecado como o suicídio. A Palavra de Deus é clara em Romanos 8:38 e 39: “Porque eu estou bem certo de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor”. Note que o texto diz que “nenhuma outra coisa criada”. Esta frase inclui o próprio crente. Notemos também que essa passagem fala que “nem as coisas do presente, nem do porvir”, fazendo referência às situações futuras que ainda não vivemos. Por outro lado, João 10:27-29 nos fala que ninguém pode nos arrebatar da mão de nosso Pai, e Filipenses 1:6 diz que “aquele que começou a boa obra em vós, há de completá-la até o dia de Cristo Jesus”. Concluindo:

  • Se estabelecemos que o cristão é capaz de cometer qualquer pecado, por que não conceber que potencialmente ele poderá cometer o pecado do suicídio?
  • Se estabelecemos que o sangue de Cristo é capaz de perdoar todo pecado, ele não cobriria esse outro pecado?
  • Se o sacrifício na cruz nos tornou perfeitos para sempre, como diz o autor de Hebreus (7:28, 10:14), não seria isso suficiente para afirmarmos que nenhum pecado rouba a nossa salvação?
  • Se até Moisés chegou a desejar que Deus lhe tirasse a vida, devido à pressão que o povo exerceu sobre ele, não poderia um paciente esquizofrênico ou na condição de depressão extrema, que não tenha a força de caráter de um Moisés, atentar contra a sua própria vida de maneira definitiva?
  • Se não somos Deus e não temos nenhuma maneira de medir a conversão interior do ser humano, poderíamos afirmar categoricamente que alguém que deu testemunho de cristão durante sua vida, ao cometer suicídio, realmente não era um cristão?
  • Baseados na história bíblica e na experiência do povo de Deus, poderíamos concluir que o suicídio entre crentes provavelmente é uma ocorrência extraordinariamente rara, devido à ação do Espírito Santo e aos meios de graça presentes no corpo de Cristo.
  • Pensamos que o suicídio é um pecado grave, porque atenta contra a vida humana. Mas já estabelecemos que um crente é capaz de eliminar a vida humana, como o fez Davi. Se eu posso fazer algo contra alguém, como não conceber que posso fazê-lo contra mim mesmo? Essa é a nossa posição.

               Como você pode ver, não é tão fácil estabelecer uma posição categórica sobre o suicídio e a salvação. Tudo o que podemos fazer é raciocinar através de verdades teológicas claramente estabelecidas, a fim de chegar a uma provável conclusão sobre um fato não estabelecido de forma definitiva. Portanto, quanto mais coerentemente teológico for meu argumento, mais provável será a conclusão que eu chegar. Agostinho tinha razão ao dizer: “Naquilo que é essencial, unidade; naquilo que é duvidoso, liberdade; e em todas as coisas, caridade”. Minha recomendação é que você possa fazer um estudo exaustivo, outra vez ou pela primeira vez, acerca de tudo o que Deus disse sobre a salvação, que é muito mais importante que o suicídio, que é quase nada.

Em Cristo,
Pr Ivair J. Lehm


11 janeiro 2015

SÓ JESUS PARA COMPREENDER NOSSOS SENTIMENTOS


                 Uma das coisas mais lindas que a Bíblia nos relata é sobre o Amor protetor de Deus. É um Amor que não se pode medir, nem mesmo calcular. 
O Amor de Deus é um amor intenso, profundo, e acima de tudo Eterno. Deus ama o ser humano e deseja a sua Salvação, sua interação com Ele. Deus ama o ser humano e se compadece de seus problemas, dificuldades, fracassos, lutas, dificuldades, enfim, Deus sabe exatamente o que sentimos, o que vivemos, o que nos aflige, o que nos entristece, por isso mesmo, sempre ouvimos alguém dizer que "só Deus conhece o homem por dentro e por fora; só Deus conhece o ser humano".

              Jesus experimentou todas as tentações que um ser humano pode experimentar, tanto que o escritor bíblico disse " em tudo foi tentado, mas não pecou, nem se achou engano na sua boca"
Jesus sabe exatamente o que nos aflige, o que nos fere, Jesus conhece toda a nossa estrutura, pois além de ser Ele Deus, Ele também foi homem como nós somos, sujeito a sede, frio, calor, cansaço, dificuldades. 

                Jesus também conhece o que nos alegra, tanto quanto o que nos entristece, Jesus conhece os nossos anseios, nossos desejos, nosso sonhos, nossas vontades...Jesus conhece todas as coisas em nós.

                      As pessoas raramente se colocam no lugar dos outros, muito poucas vezes, tentam sentir o que os outros sentem e como o ser humano é por natureza egoísta, pouco se importa com os outros. Por isso Jesus foi um homem como qualquer um de nós, com carne, ossos, sangue e com as mesmas dificuldades que nós. Só Jesus pode nos valer e nos ajudar nos momentos mais difíceis de nossa caminhada.

                         Por isso tudo só Jesus pode salvar o homem e remí-lo de todo pecado. Temos em Jesus não apenas o modelo, mas acima de tudo um COMPANHEIRO que de perto nos conhece e sabe quem somos, o que sentimos e com certeza não nos despreza, nem nos abandona e sempre está ao nosso lado nos olhando como de fato somos, NECESSITADOS  de sua companhia, CARENTES de sua proteção e acima de tudo, nos garante a sua PRESENÇA para vencermos as lutas de todos os dias.

Que em 2015, o Senhor esteja a cada dia do ano lhe mostrando sinais de sua presença e seus milagres em cada vida.

Em Cristo, 
Pr Ivair J. Lehm

02 janeiro 2015

SUPER CRENTES OU APENAS CONVENCIDOS ?

                  
                  Conta-se uma história verídica de um pastor que foi enviado a dirigir uma congregação numa cidade que ele não conhecia. Vizinho a sua casa, morava o pai de santo do terreiro da cidade.
Quando soube que mais um pastor se tinha mudado ao seu lado, o pai de santo fez um despacho com um frango e colocou no fundo do quintal do pastor. 
No dia seguinte, pela manhã, o pastor viu o trabalho feito, e como tinha sido avisado pelos membros da igreja sobre a fama do vizinho, mandou que sua esposa preparasse aquele frango numa deliciosa refeição. Foi até o vizinho pai de santo e lhe disse:
- Querido vizinho, sou novo na cidade e para demonstrar minha satisfação e prazer em morar ao seu lado, gostaria de lhe oferecer um jantar. De pronto o pai de santo com ar de deboche aceitou.
A noite sentados a mesa, foi servido um delicioso frango. O pai de santo, diz:
- Nunca comi um frango tão delicioso. 
Então o pastor disse ao vizinho:
- Eu sirvo a Deus e Ele é muito bom comigo. Sabe, eu disse a Deus; Senhor quero oferecer um jantar ao meu vizinho, mas não tenho nada para por a mesa, e sabe o que aconteceu ? 
- Nem imagino, respondeu o pai de santo.
- Hoje pela manhã, fui ao fundo do meu quintal e lá estava este frango, que o Senhor Deus preparou.

Imagine o constrangimento daquele pai de santo que dias depois recebeu Jesus como seu Salvador.

É incrível o número de crentes que pregam estarem acima dos demônios e "capetas", que satanás está debaixo de seus pés, que você deve sapatear nas costas do diabo; que "Contra Jacó não vale encantamento", que crente cheio do poder de Deus o diabo não toca....mas que quando postos ou quando se confrontam com algo diferente, logo citam Lucas 4:12 "não tentará o Senhor teu Deus"..

Crentes que afirmam viverem revelações de Deus cotidianamente, mas que ainda tem medo de passar na frente do cemitério, medo de passar perto de despachos em encruzilhadas, medo de passar em frente ao centro de macumba, que se afastam de pessoas que se dizem espíritas, que não comem um bolo enviado por alguém que não seja da mesma fé, enfim....são tantas as superstições que é notório que não há um mínimo de confiança em Deus e muito menos conhecimento da palavra. É claro que não vou pegar um frango de um despacho e comer, pois o que mencionei foi uma estratégia de Deus ao pastor. É claro que nem Deus nem se sentiria bem vendo eu comer algo sem o mínimo de higiene !!

Paulo disse: " Comei de tudo quanto se vende no açougue, sem perguntar nada, por causa da consciência. Porque a terra é do Senhor e toda a sua plenitude. E, se algum dos infiéis vos convidar, e quiserdes ir, comei de tudo o que se puser diante de vós, sem nada perguntar, por causa da consciência. Mas, se alguém vos disser: Isto foi sacrificado aos ídolos, não comais, por causa daquele que vos advertiu e por causa da consciência; porque a terra é do Senhor, e toda a sua plenitude."                           1 Coríntios 10:25-28 ou seja, só não coma se você souber que a tal comida foi sacrificada aos ídolos. Afinal que tipo de evangelho é esse que as pessoas dizem viver ? É claro que por uma questão de higiene e saúde, não devemos comer qualquer coisa na rua, mas não por causa de nossa fé.

Como pode ? Que incoerência uma pessoa pregar aos outros que o maligno não lhe toca, que o diabo está debaixo de seus pés e viver com medo e superstições como se ainda estivesse no mundo ? 
Paulo afirma que nós "vamos julgar os anjos" 1 Corintios 6:2,3 e vejo pessoas que se dizem ter o discernimento e revelações de Deus com medo de reprovar práticas, ondas, movimentos, profecias e rituais que mais se parecem com espiritismo dentro das igrejas. E utilizam o famoso " não julgues para não ser julgado", mas como cristãos, devemos defender o evangelho de Cristo de todos os ataques, quer sejam eles de fora ou de dentro, do islamismo, budismo, espiritismo, seja qual for a religião ou movimento, ou mesmo as heresias que surgem dentro das igrejas.

Se somos a igreja do arrebatamento, porque vivermos com medo de tantas coisas, as quais Cristo todas ela venceu na cruz do calvário ?

Que possamos viver um evangelho genuíno, tanto no aspecto salvífico, quanto no poder de Deus que opera tudo em todos. Que a nossa mente cristã, seja mais cheia de Cristo e mais vazia de superstições evangélicas. Que a nossa mente possa ser mais cheia de conhecimento da Palavra do Eterno, e mais vazias de coisas dessa terra. Que possamos de fato, sermos mais "crentes", ter mais fé no Senhor e afastar de nós os pobres conceitos mundanos e rudimentos do mundo que insistem em permanecer em nós...e que acima de tudo, "CONHEÇAMOS E PROSSIGAMOS EM CONHECER AO SENHOR " Oséias 6:3

Em Cristo,
Pr Ivair J. Lehm

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