27 outubro 2012

CONFISSÕES DE UM PASTOR - Parte 2


           
           Falei aqui sobre o ser uma pessoa normal na postagem passada e que mesmo sendo um "pastor" nunca deixarei de ser humano.
         As vezes fico um tanto desesperado ao pensar que o dia vai amanhecer e meus problemas e frustrações ainda estarão ali, diante de mim. Fomos programados a pregar apenas a benção, apenas o lado bom do Evangelho, apenas a vitória e deixar esconder as intempéries da vida. Não que o Evangelho tenha um lado mau, mas é um lado que a maioria não gosta de ouvir: é o lado da cruz, do sacrifício  do negar-se a si mesmo, tomar a cruz e seguir...essas coisas que as pessoas não querem ouvir e poucos querem pregar.
       Todos os dias vou dormir na esperança de acordar com minha vida diferente, mas lá está tudo igual no dia seguinte. As lutas continuam, os problemas não se resolvem, eu lanço pedras no gigante, expulso, oro, repreendo, tomo posse, determino, exijo, mas tudo continua da mesma maneira e da mesma forma.
         Quando penso que: "agora vai", aparece um problema pior. Você deve estar achando ridículo um pastor escrever isso num blog para milhões de pessoas lerem, mas é a mais pura realidade. Não sou o Super Pastor que as pessoas pensam, e conheço muitos outros que não são e não admitem, vivendo numa redoma de aparências.
       Choro quando fico desesperado, gemo de dor quando algo não dá certo, quando as pessoas me abandonam deixando minha congregação para irem para outro lugar, sinto panico quando alguém diz que vai sair da igreja, fico atemorizado quando sou ameaçado por uma divisão, enfim, tenho medos e temores como todas as pessoas.
      Faço contas pra ver se vou conseguir pagar todas as minhas contas no fim de mês, economizo na gasolina, no banho, na luz, dou apenas uma moeda de oferta no culto, minha esposa sente problemas como todas as mulheres normais, preciso trabalhar todo o dia pra ter algum dinheiro no bolso, sinto dores de cabeça, nauzeas, cansaço, dores de estômago, enfim, sou tão normal quanto posso ser.
     Mas não posso pregar isso na igreja, pois como alguém será curado ? como alguém ganhará um Toyota de Jesus se meu carro já tem mais de 15 anos? como alguém vai seguir um pastor que tem problemas comuns como todos mortais ?
     Chego a conclusão que ser normal é ser diferente...não posso ser apenas um ser humano redimido por Jesus, tenho que ser de ferro, tenho que passar a imagem de indestrutível, mesmo estando fragilizado, com medo e cheio de temores.
    Você pode estar pensando que sou maluco ou que devo estar desviado, mas não é nada disso, é apenas a conclusão mais óbvia da vida. Pessoas já me disseram que estou falando tudo o que eles mesmos gostariam que seus membros soubessem, inclusive seus ministérios  pois a vocação é de Deus, o chamado é do Espírito Santo, mas quem manda é o presidente, quem determina as metas é o presidente e nós, na verdade, somos empregados sem carteira assinada que trabalhamos por amor as almas, deixando nossas famílias em segundo plano, nossa individualidade de lado e na maioria das vezes sem ganhar nenhum centavo enquanto o presidente, tem seus vários salários....mas esse é assunto pra outra postagem....

Em Cristo
Pr Ivair J Lehm

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